Confinamento de bovinos cresce no RS

140516ea9f294fa6a58e40d8de80d79e_200x200

A demanda por ração destinada ao gado de corte confinado e semiconfinado no Rio Grande do Sul aumentou no primeiro semestre de 2017, na comparação com o mesmo período de 2016. O incremento é revelado por empresas que fornecem produtos de nutrição animal em todo o Estado. As empresas registraram uma elevação de até 60% nas vendas, mas ressalva que boa parte deste percentual deve-se à estratégia elaborada para a abertura de novos mercados.

O crescimento na venda de rações indica elevação no confinamento de animais no Estado e maior suplementação de alimentos no semiconfinamento, já que a oferta de pastagem cai no inverno. O presidente da Associação dos Produtores dos Campos de Cima da Serra (Aproccima), Carlos Roberto Simm, acredita que dois fatores contribuíram para um maior interesse no confinamento neste ano: menor custo na dieta animal e preços mais baixos dos animais de reposição (gado magro). “Dificilmente estas duas situações ocorrem ao mesmo tempo. Geralmente o preço da alimentação é alto, mas a queda do valor do milho e da soja ajudou o produtor a decidir neste ano pelo confinamento”, afirma. No entanto, Simm observa que o Estado carece de estatísticas sobre este sistema.

O professor Ricardo Pedroso Oaigen, do Centro de Tecnologia em Pecuária da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), afirma que, o confinamento é maior na Metade Norte e Região Central do Estado, sobretudo nas regiões agrícolas, onde o custo da dieta do boi torna-se menor. “O produtor pode aproveitar resíduos da lavoura de milho, soja e trigo na ração animal”, observa. Além disso, o confinamento ajuda os produtores a fazerem vendas em épocas estratégicas e a evitarem a perda de peso do gado durante o inverno.

O contraponto, neste momento, é a instabilidade do mercado futuro que produz impactos sobretudo para o grande confinador. A bovinocultura de corte, principalmente no Centro-Oeste do País, já sente reflexos da Operação Carne Fraca, delações dos donos da JBS e suspensão das importações da carne bovina in natura pelos Estados Unidos. O vice-presidente da Farsul, Gedeão Pereira, diz que o preço do boi gordo deve cair mais do que a média nos próximos meses, quando a oferta de animais no mercado aumenta para dar espaço à implantação das lavouras. “Na comparação com o Centro-Oeste, o Rio Grande do Sul ainda tem preços melhores, mas a tendência é que não conseguiremos segurar este cenário por muito tempo”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *